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Yogini por Amor + instrutora por dedicação + massoterapeuta por vocação + caminhando com samtosha e exercitando compaixão.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sobre novelas e afins

No ultimo sábado, presenciei a discussão de um casal.
Estava sentada num banco da praia, lendo meu livro e, de repente, vejo a cena, começando com olhos de censura, testa enrugada, movimentos de negação com a cabeça, gestos e movimentos que indicam irritação.
Ela, sentada numa canga na areia, abraçou as pernas, parecendo que queria se proteger, ou se fechar perante aquela situação. Ele, sentado ao lado dela, aproximava o rosto ao dela, com a intenção de ser discreto, talvez, mas todo seu corpo estava tenso, contraído, traindo sua discrição.

Eu nao podia ouvir as vozes, so ver as expressões corporais. Poderia ser discreta e nao manter ali minha atenção, mas se tivesse feito isso, nao teria material para escrever agora. Me sinto uma observadora da natureza humana, ou melhor, uma curiosa compulsiva.
Nao faço ideia do motivo do desentendimento e nem me importo. O que me importo e com o desentendimento em si, nao o motivo.
Vamos voltar a cena. Dia de sol, mar calmo, um casal sentado na areia, parece perfeito, nao e? O que pode ser tao urgente, ou tao serio a ponto de fazer alguém se irritar tanto e gerar uma discussão?
O fim da 'novela' que eu assistia, (com direito a cena dos próximos capítulos, que iria acontecer em casa, pelo que aquilo indicava), acaba com ele saindo irritado andando e ajeitando a bermuda e ela pegando a canga e andando atras com alguns passos de distancia. Modo segurança ativado. Nem chegue perto senão e possível que haja mais confusão. E olha, que eles podem ter, algumas horas antes, dito palavras de amor eterno um ao outro.

Saio para andar e cruzando a praca da cidade, ouco uma conversa de um rapaz no celular e a frase que marcou o momento, foi que ele estava 'divorciado, graças a Deus'!
O que ele dizia era, 'eliminei o problema da minha vida', e eu me pergunto, sera?
Esse texto nao e so para contar as fofocas do meu sábado, e para trazer uma reflexão.
O que temos que aprender com isso?
Quais sao os nossos momentos em que queremos que o nosso ponto de vista seja o único a ser considerado e aceito como certo?
Sera que nos relacionamos com o outro, ou com como vemos o outro?
Na discordia, o ego existe. Se voce concorda, aceita outro ponto de vista, voce se dissolve no outro.
Manter-se atado as suas ideias e conceitos, sem abrir espaço para ouvir e compreender faz com que se torne absolutamente impossível conviver.

A questão fundamental e como nos relacionamos, com nos e com o mundo.
Normalmente temos uma lista de expectativas daquilo que queremos e nao fazemos por nos mesmos o que deveríamos para alcançar os objetivos ( as vezes totalmente irreais) desta lista e, alem de tudo, esperamos que alguém nos de aquilo que nem nos sabemos exatamente o que e.
Ufff complicado,ne?
Dai, e claro que o que acontece e discussão, desentendimento e frustração.
Talvez fosse mais fácil se antes de se relacionar, fosse possível se 'bastar'. Ser feliz por ser quem se e, como e, nao esperar que exista alguém que curta você em todas as suas nuances.
Talvez fosse mais interessante estar sentada/o na canga na areia da praia sozinha/o curtindo um dia de sol, ou ainda, lembrar daquele velho ditado, quando um nao quer, dois nao brigam. Você pode escolher em que lutas entrar e tenho certeza que tem causas muito mais interessantes para se engajar.

Nao quero dizer aqui que temos que aceitar tudo com resignação, longe disso. O que estou propondo e que voce acorde para uma outra possibilidade nas suas relações. E possível que essa possibilidade que aponto seja de mais respeito, de menos violência e de maior tranquilidade.
A proposta aqui e, que mais importante do que virar de ponta cabeça num sirshasana, e poder virar de cabeça  para baixo as convenções  das relações. Pare de perpetuar a novela mexicana, olhe para o que vale a pena e curta mais a vida e menos o drama. Pare de contar com o entendimento do mundo se nem voce se entende. Celebre mais o amor e menos aquilo que voce gostaria que fosse. Se nao ta bom, sai fora! Vai viver! De verdade! De meia boca já bastam os nosso políticos, o nosso sistema. Realize e acorda para a vida. Aaahh e aproveita e jogue fora a lista. Aquela, das expectativas!



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