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Yogini por Amor + instrutora por dedicação + massoterapeuta por vocação + caminhando com samtosha e exercitando compaixão.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sobre novelas e afins

No ultimo sábado, presenciei a discussão de um casal.
Estava sentada num banco da praia, lendo meu livro e, de repente, vejo a cena, começando com olhos de censura, testa enrugada, movimentos de negação com a cabeça, gestos e movimentos que indicam irritação.
Ela, sentada numa canga na areia, abraçou as pernas, parecendo que queria se proteger, ou se fechar perante aquela situação. Ele, sentado ao lado dela, aproximava o rosto ao dela, com a intenção de ser discreto, talvez, mas todo seu corpo estava tenso, contraído, traindo sua discrição.

Eu nao podia ouvir as vozes, so ver as expressões corporais. Poderia ser discreta e nao manter ali minha atenção, mas se tivesse feito isso, nao teria material para escrever agora. Me sinto uma observadora da natureza humana, ou melhor, uma curiosa compulsiva.
Nao faço ideia do motivo do desentendimento e nem me importo. O que me importo e com o desentendimento em si, nao o motivo.
Vamos voltar a cena. Dia de sol, mar calmo, um casal sentado na areia, parece perfeito, nao e? O que pode ser tao urgente, ou tao serio a ponto de fazer alguém se irritar tanto e gerar uma discussão?
O fim da 'novela' que eu assistia, (com direito a cena dos próximos capítulos, que iria acontecer em casa, pelo que aquilo indicava), acaba com ele saindo irritado andando e ajeitando a bermuda e ela pegando a canga e andando atras com alguns passos de distancia. Modo segurança ativado. Nem chegue perto senão e possível que haja mais confusão. E olha, que eles podem ter, algumas horas antes, dito palavras de amor eterno um ao outro.

Saio para andar e cruzando a praca da cidade, ouco uma conversa de um rapaz no celular e a frase que marcou o momento, foi que ele estava 'divorciado, graças a Deus'!
O que ele dizia era, 'eliminei o problema da minha vida', e eu me pergunto, sera?
Esse texto nao e so para contar as fofocas do meu sábado, e para trazer uma reflexão.
O que temos que aprender com isso?
Quais sao os nossos momentos em que queremos que o nosso ponto de vista seja o único a ser considerado e aceito como certo?
Sera que nos relacionamos com o outro, ou com como vemos o outro?
Na discordia, o ego existe. Se voce concorda, aceita outro ponto de vista, voce se dissolve no outro.
Manter-se atado as suas ideias e conceitos, sem abrir espaço para ouvir e compreender faz com que se torne absolutamente impossível conviver.

A questão fundamental e como nos relacionamos, com nos e com o mundo.
Normalmente temos uma lista de expectativas daquilo que queremos e nao fazemos por nos mesmos o que deveríamos para alcançar os objetivos ( as vezes totalmente irreais) desta lista e, alem de tudo, esperamos que alguém nos de aquilo que nem nos sabemos exatamente o que e.
Ufff complicado,ne?
Dai, e claro que o que acontece e discussão, desentendimento e frustração.
Talvez fosse mais fácil se antes de se relacionar, fosse possível se 'bastar'. Ser feliz por ser quem se e, como e, nao esperar que exista alguém que curta você em todas as suas nuances.
Talvez fosse mais interessante estar sentada/o na canga na areia da praia sozinha/o curtindo um dia de sol, ou ainda, lembrar daquele velho ditado, quando um nao quer, dois nao brigam. Você pode escolher em que lutas entrar e tenho certeza que tem causas muito mais interessantes para se engajar.

Nao quero dizer aqui que temos que aceitar tudo com resignação, longe disso. O que estou propondo e que voce acorde para uma outra possibilidade nas suas relações. E possível que essa possibilidade que aponto seja de mais respeito, de menos violência e de maior tranquilidade.
A proposta aqui e, que mais importante do que virar de ponta cabeça num sirshasana, e poder virar de cabeça  para baixo as convenções  das relações. Pare de perpetuar a novela mexicana, olhe para o que vale a pena e curta mais a vida e menos o drama. Pare de contar com o entendimento do mundo se nem voce se entende. Celebre mais o amor e menos aquilo que voce gostaria que fosse. Se nao ta bom, sai fora! Vai viver! De verdade! De meia boca já bastam os nosso políticos, o nosso sistema. Realize e acorda para a vida. Aaahh e aproveita e jogue fora a lista. Aquela, das expectativas!



quinta-feira, 20 de junho de 2013

Noites escuras

Fato confirmado e atestado desde a epoca de Buda e muito antes dele tambem, e que todos nos sofremos.
De causas reais, causas criadas, inventadas, procuradas ou achadas, sofremos.
Por mais belo o sorriso na foto, cada um tem sua dor e a pior delas e achar que existe alguem que esteja em melhor condição que a nossa.
Sempre existe a comparação com uma epoca mais feliz, com a pessoa ao seu lado que parece melhor que você, consequentemente: sofrimento.
A verdade e que estamos todos nos na mesma situacao, uns um pouco mais confortaveis outros menos, mas todos na lama. Os que estao mais confortaveis, a lama esta na cintura mais ou menos, os outros, quase no queixo.
Todos ja devem ter ouvido a frase famosa, que e no lodo que nasce o mais belo lotus.
Voce sabe em que lodo anda mergulhado? Pois esta situacao viscosa, lamacenta e muito rica em fertilidade, em possibilidade de transcendência.
Cresci ouvindo da minha mae que quem nao aprende por amor, aprende pela dor.
Sempre achei essa frase muito triste, porque e bem mais legal aprender pelo bem. Mas, ouvindo muitas historias de vida, que tenho a honra de presenciar, percebo que a dor e o melhor remédio.
Deveríamos, ao invés de desejar aos outros tenha um bom dia, poderíamos usar: "Tenha um péssimo dia, que tudo de terrível aconteça com você e, assim, aprendera de uma vez por todas a se livrar daquilo que te amarra, incomoda, entao, sua vida vai ficar mais leve o quanto antes...Passar bem, ou melhor, passe mal"
Nas noites mais escuras e que voce percebe o tamanho da sua luz, o quanto ela brilha e quais caminhos ilumina.
No Vedanta, usamos dois termos para dizer quando você tem mérito ou a falta dele, Punya e Papa. Costumamos associar o demérito, claro, as coisas negativas que fizemos, e que hoje nos acarretam algum problema, nos provocam algum mal. Algo como o Karma e o bad Karma.
 Muitas pessoas associam o mérito a ter uma vida maravilhosa. Levando em consideração que nascemos no Brasil, um pais que nao tem guerra, nem furacoes, tsunamis, etc..podemos nos considerar dotados de Punya. Se nascemos perfeitos e saudáveis, se temos habilidades para se desenvolver plenamente, somos dotados de Punya. Viemos com facilidades. Mas, e claro, que uma coisa nao existe sem o seu oposto, viemos também com uma bagagem de Papa. Aquelas dificuldades que so nos sabemos, aquela coisinha que pega pesado e nos mostra nossas limitações. E que se, nao sao trabalhadas corretamente, serão repetidas constantemente ate que sejam transcendidas.
Quem deseja se deparar com sua limitação e dificuldade sempre?
Entao, peca para a vida te apresentar logo e rápido todas as suas oportunidades de crescimento.
E, sabemos, que elas estão ali no nosso nariz.
So precisamos mudar a maneira de olhar.

Todos sabem que estive ausente das salas de aula por um tempo, me recuperando de uma cirurgia e passando por alguns tratamentos. Durante este período, ouvi muitas opiniões, conselhos, amigos que traziam orações, palavras de forca, etc..
Passando por esse tsunami emocional e fisico, vi as pessoas e amigos ao meu redor, vivenciando algo muito semelhante ao que eu vivia. A minha condição atingia a eles. Cada um fazendo seu exercício de fe, entrega, confiança e muitas vezes falhando. Cada um aprendendo com o momento e como viver sua dor. Uma situação assim, de dificuldade, chacoalha todos ao seu redor. E você, lidando com sua "noite escura" e os que estão ao seu lado também.
Cada um com sua dificuldade tentando superar os obstáculos da sua própria limitação. Ao mesmo tempo, essa mesma situação que envolve varias pessoas, se uma delas estiver plenamente consciente das 'razoes' do Universo, todas sao beneficiadas.
Fato e, que vivo numa época em que existe chances de cura e tratamentos, precisa mais Punya que isso?
Dependendo do ponto de vista,  'me sobra' Papa, pois esta nao e a primeira vez que passo por isso. Mas, compreenda, eu passo por isso. "Isso" passa por mim. "Isso" nao sou eu. Resgato "disso" um aprendizado maior. Muito Punya por ser praticante de Yoga.
Acho que, como um jogo de tabuleiro, um Punya elimina um Papa. Vou lançar algumas campanhas: Rumo ao 1 milhão de Punyas!
Rumo a um mundo sem drama e fantasia!
Que a vida te apresente todas as oportunidades para seu desenvolvimento pleno. Aqui e Agora!
_/\_
 



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Saude, ciencia e sabedoria.

Carboidrato e bom a noite. Reviravolta na ciencia: e nesse horário que ele da saciedade e ajuda você a emagrecer.
Esta e a capa da revista saúde e vital deste mês.

Informação e sempre muito bem vinda, mas pegando uma pequena coleção que tenho deste revista, descobri que uma capa contradiz a outra. Ou seja, as vezes a grande descoberta da vez e você deve comer carboidratos, daqui uns três meses, isso tudo muda e entaoo pobre carboidrato sera o veneno da humanidade.

As vezes, você pode tomar cafe, outras ele se torna o maior dos viloes da face da terra, coisa que nem Batmam pode dar jeito. A ciência tem o poder de enlouquecer qualquer cidadão.
E os milagres, entao?

Se você ingerir uma maca por dia,sera uma pessoa que estara livre de câncer, de problemas cardíacos, de envelhecimento precoce. Você ja parou para refletir sobre o que você deve fazer para se feliz, saudável, livre de qualquer doença?
Segundo a ciência existe um numero certo de litros de água, de frutas e vegetais, de proteínas e vitaminas, de carboidratos e fibras, etc..Sendo assim, nossa vida se resume a cuidar somente do que ingerimos, para evitar assim, morrer...E bastante lógico!


Se você comer macas, sera alguém que simplesmente come macas porque gosta, ou sera Highlander?. Pensando bem, nao ha garantias. Nao ha vida eterna embutida numa maca ou na uva.
Voce que comeu, ou que ficou boa parte do seu tempo pensando onde encontrar proteínas para se comer a noite, nao se sente indignado?
Agora, pode ser feliz e comer macarrão!


Observo meus alunos perdendo mais tempo pensando em que fazer para comer do que praticando. Sinto um imenso pesar de perceber que algumas preocupações superam a vontade de libertar-se.
Precisamos refletir sobre o significado do bom senso.

O bom senso nada mais e do que a capacidade de sentir/perceber/raciocinar/afirmar uma realidade. Quando os nossos sentidos falham, porque andam entorpecidos ou excessivamente estimulados, nos falta o senso de direção/julgamento correto, nos tornamos sem senso, sem sentido.


No mundo das terapias alternativas, do Yoga e das tradições orientais nao faltam técnicas e ferramentas para ajudar o homem a resgatar essa qualidade.

Dieta, exercícios, respiração, meditação, descanso e contato constante com a natureza sao algumas das mais importantes para que possamos trazer de volta a sanidade.

Dieta, sim, eu citei dieta. Qual? A da lua, do sol, das estrelas ou da banana da terra? Que tal aquela que te faz bem? Que so você sabe o que e?

Sou a favor do veganismo,isso e claro! Vegetarianismo também e tudo de bom. Mas para decidir o que serve para cada organismo, somente usando a inteligência, que nao falta a ninguém. O corpo e muito espertinho, mostra perfeitamente aquilo que entra leve, que entra pesado, que demora para digerir, e aquilo que passa suave. Olhe, observe atentamente. E pode perceber que nem  precisa tanto assim daquilo que achava. Conheço ate, quem se livrou de vez da necessidade de comer.

Para isso voce precisa do resto. Tudo aquilo que citei depois da dieta: cuidado com o corpo, que e para se tornar intimo, amigo e responsável pelo bem estar dessa estrutura.

Para isso, os orientais foram fenomenais. Yoga, Tai-chi-chuan, Karate, Kung-fu, tudo para cuidar do corpo e da energia chi, ki ou prana.

Respiração: ponto novamente para os orientais. Sacaram que a respiração interfere na mente. Mente clara respiração calma. Respiração calma, mente limpa. Simples, nao e?

Meditação: capacidade de refletir adequadamente.
Passamos pela etapa da reflexão atenta da vida, pelo reconhecimento do que faz, como age e como você funciona. Conseqüência de meditar e auto-conhecimento, razao pela qual nao esta tao na moda assim, ouco mais pessoas falando a respeito disso que silenciando para perceber seus efeitos.

Descanso, essa parte merece atencao. Para muitos, descansar e deitar-se no sofa e ver TV. O descanso correto e sua capacidade de relaxar,  alheio a qualquer movimento, som, e deixar-se e entregar-se de verdade por alguns minutos para fazer NADA. Pergunte ao seu gato, ou aprenda com o Garfield.

E contato com a natureza nem precisa de comentarios. Contato constante com a natureza e com a solitude, apreciar o silencio, a ausência de pessoas e aproveitar ficar em ótima companhia,você mesmo.

Tudo isso nos conecta novamente com os sentidos e alimenta nossa capacidade de discernir entre aquilo que serve e o que nao serve.

Se voce optar por deixar-se guiar pela ciencia, ou por qualquer coisa fora de você, estara fadado a se confundir, a deixar de usar aqueles acessórios que vieram de fabrica e que servem para estas necessidades físicas.

O que costumo dizer aos amigos e alunos e pare de confiar tanto no que anda por fora e confie mais na sua capacidade e sabedoria.

Deixe de lado os sabios conselhos do mundo e confie no sábio que vive em você. E se você julga este texto como mais um conselho, peco que nao acredite em mim.

Seja curioso o suficiente para testar e obter os resultados da sua própria experiência. O cientista e o experimento sao os mesmos.
Libere o alquimista que vive em voce e descubra o elixir da longa vida.
Mas nao se iluda.
Tome doses diárias de bom senso para enxergar a Realidade como ela se apresenta!
Harih Om


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dores, monges e afins

Nada mais deprimente e ao mesmo tempo, possibilidade de despertar do que um passeio pelo hospital.
Estamos sempre com a agenda abarrotada de afazeres e com nossos planos para amanha, para toda uma semana ou um mes e esse amanha, talvez, seja na espera de um PS implorando por um analgésico, ou toda furada tomando um soro cheio de substancias coloridas. Deprimente.
Quem nunca passou por isso? Volta e meia somos pegos por um vírus, uma bactéria, ou uma dorzinha que nao vai embora e que parece nos matar.


Nos, Yogis ou Yoginis, torcemos o nariz para qualquer tipo de medicamento alopatico, pois sabemos que na natureza existe tudo que precisamos, mas na hora H, aquela em que a diarréia nao para, ou a febre toma conta, quero ver quem nao corre ate o carinha de jaleco branco pedindo socorro! Ervas? Que nada! Manda ver uma morfina logo!
Esses passeios que sao raros ao hospital, e infelizmente nao tao raros para algumas pessoas, servem como uma ótima reflexão da condição humana.



Coincidencia ou nao. antes de estar nessa situação "hospitalistica" no ultimo sábado, estava estudando o Tattva Bodha com a ajuda do audio da Gloria Arieira, e ela dizia que nosso corpo e chamado de Sharira, por vir da palavra Shirya que significa decomposição, aquilo que decai. Um dia bom, outro ruim. Ter corpo significa ter dor, porque dói. Porque incomoda e decompoe. Envelhece, adoece e morre. Sabia? Claro que sim, mas sera que ja tinha tomado um choque de realidade como uma epifania em que entram as pessoas que descobrem que tem um tumor raro inoperavel e poucos dias de vida?



Enquanto esperava na sala, eu com minha angustia, que claro do meu ponto de vista era a maior do mundo, pude reparar em algumas pessoas, cada uma com suas dores e lamurias, lagrimas e dores.
Naquele momento, eu me encontro rezando/mantrando em nome de todos aqueles que sofriam, naquela situacao, e em nome de todos aqueles médicos com olheiras e caras cansadas de longas jornadas de trabalho. Conseguimos imaginar o tamanho e o numero de pessoas que sofrem diariamente?

Chagando em casa, nao me restava nada a fazer a nao ser repouso como indicacao e surgiu a vontade de assistir um filme. A escolha nao podia ser melhor, DOGEN, a historia real do grande monge e sábio que levou o budismo verdadeiro para o Japão.

O filme ja se inicia com uma cremação da mae de Dogen quando ele tinha 12 anos. Ja nos mostra a verdade que perdemos quem amamos, inevitavelmente. Perdemos saúde, cabelo, pelo lisa, dinheiro, animais de estimação, posição social, empregos, perdemos coisas que nos sao preciosas.

Dogen ja bastante conhecido na idade adulta e monástica recebe a visita de uma prostituta com seu filho nos bracos, chorando e pedindo a ele que faca algo, pois ela sabe que ele esta morrendo.
Dogen diz a ela que ele tem a solucao.
Ela deveria ir em todas as casas da aldeia e encontrar uma família que nao tenha perdido um ente querido e pedir que lhe dessem uma semente de mostarda, e esta semente salvaria seu filho.

Essa mae, sai desesperada, passando por toda a aldeia, batendo de porta em porta, ate seu filho morrer em seus bracos e ela nao desiste, continua, procurando. Ate o momento em que ela nao acha ninguém e volta com o filho nos bracos, a roupa bem suja, rasgada e diz a Dogen que ele mentiu.
Outro monge vendo a situação, diz a ela que ele nao havia mentido so tinha provado que nao existe sequer uma pessoa que nao tivesse perdido alguém que ama.
Dogen pega o filho dela nos bracos e chora. Ela nao compreende as lagrimas do sabio e o monge diz que ele sofre pelo nosso sofrimento.

Essa e a realidade deste corpo, sofrimento pelo nascimento, doença e morte.
E nossa mente pode acessar a compaixão, pelo sofrimento dos outros.
Se você ja sentiu alguma dor, sabe ter compaixão quando vê alguem com dor. E deseja eliminar aquele sofrimento. O medico, alivia sedando. O monge, acordando, ensinando a verdade da vida, incontestável.
Real e inegável. Para todos os seres.
E que todos os seres possam ser felizes, nao e para isso que estamos aqui?
E saudáveis, dentro do possível, para vivenciar as maravilhas desse corpo físico.
E acordados, para nao nos apegarmos aquilo que perece.
E que tenhamos compaixão com todos que sofrem e possamos agradecer a todos os momentos maravilhosos em que desfrutamos da vida.
Harih Om









quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Meia noite em Paris

Estes dias tive o imenso prazer de assistir a um filme de Woody Allen,meia noite em Paris e que alem de ser divertidissimo, traz uma reflexao maravilhosa. Na historia, um escritor que anda em conflito com seu trabalho tem a oportunidade de voltar ao tempo em que ele e apaixonado, Paris dos anos 20.
Alem de conviver nesta epoca com pessoas brilhantes, ele conhece uma mulher maravilhosa, e se derrete por ela.
O intrigante do filme e que o tempo em que ele vive nao lhe parece adequado. A felicidade nao
esta ali onde ele esta. Ela se encontra la atras no passado, ao lado de pessoas que ja nao existem e num lugar do qual ninguem tem acesso, a nao ser o personagem do filme, que e transportado aquela epoca.
Magicamente, ele conhece todos aqueles autores e artistas que tanto admira. 
Me pergunto, sera que eles eram tao adoraveis assim, ou so as obras que deixaram sao valorosas? 
Vincent van Gogh so fez sucesso após sua morte, como  muitos outros, pois sua vida foi terrivel, com problemas mentais,etc. Socrates, otimo professor, mas era um chato. Sera que Jesus também nao tinha seus defeitos? E conviver com Sidharta, o Buda? Hum, sei nao..


Sempre ouvi dos mais velhos que a vida 'antes' era melhor, mas me pergunto, antes do que? 
Seria antes de voce tornar-se tao cansado da vida que ela ja nao te oferece nenhuma novidade? 
Seria antes de voce ter deixado de lado sua real natureza para viver de aparencias?
Antes de se vender a uma ideia? Antes de tornar-se adulto e cheio de responsabilidades? Antes de termos carros, tecnologia, crises economicas, desigualdades sociais? 
Mas eu me pergunto, quando foi que nosso mundo conheceu o antes da guerra, antes da desigualdade, antes da maldade, antes da diferença, antes do preconceito? Porque pelo que me lembre da nossa historia, esse antes nunca sequer existiu.

Convivo muito com pessoas saudosistas que acham que sua infância foi a melhor fase de sua existência. Ora, vamos la, eu também gostei de ser criança, de brincar, de inventar historias, mas nao gostava nem um pouco de ser mandada, de nao poder sair sozinha, de depender da compaixão de um adulto para me levar ao banheiro.



Voltando ao filme, o personagem principal sente-se inadequado na sua vida, que para muitos seria maravilhosa. 
Na vida atual ele esta noivo, prestes a casar-se, e na vida do passado ele esta apaixonado por sua musa, que, por sua vez acha que o presente atual, os anos 20, nao e bom o suficiente e que a Belle Epoque e onde ela deveria ter vivido, antes dos carros, com roupas longas e enormes e muita cultura.
Alguma semelhança com alguém que você conhece? Ou com voce mesmo (a)?
Note como as reclamações gerais no seu cotidiano se parecem. 
"Sao Paulo era melhor antes de termos tantos carros", ou " Na minha infância nao existia tantos brinquedos e eu era mais feliz que as crianças de hoje" ou "Nossa comida ja foi melhor", "Nossa vida ja foi melhor" ou talvez, a conclusao mais rara de se chegar : 
"EU JA FUI MELHOR PARA O MUNDO DO QUE SOU HOJE". 









Essa talvez seja a causa da minha infelicidade e da minha inadequação as coisas como elas sao. 
Tem muitas outras coisas interessantes nesse filme que eu nao posso ficar contando aqui, porque quem nao assistiu, deve assistir!
A conclusão e que em vida real ou imaginaria, achamos sempre que o pote de ouro esta no final do arco-iris, la no futuro, ou ficou no passado, e nao percebemos que todas as riqueza estão a nossa disposição aqui e agora.
Talvez o sorriso discreto de Buda seja porque ele sabe que o segredinho da serenidade e da felicidade esta bem perto de nos. HariH OM.














terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vida de ashram

BUM BUM toca o sino as 4:30 da manhã e ouço alguém dizer OM NAMAH SHIVAYA.
Abro os olho e vejo que não sou a única a começar a se movimentar rapidamente na cama para se preparar.
-1 minuto para espreguiçar;
-1 minuto para juntar sua roupa, toalha e chegar ao banheiro;
-10 minutos para jala neti, para raspar lingua, tomar banho, escovar dentes, vestir-se, arrumar a cama, pegar o mat e sair em direção a sala.

Chegar à sala, procurar um lugar, estender o mat, enrolar-se no chale, movimentar a cabeça e sentir os barulhinhos do pescoço e o Swami diz OOOOMMMMM...

E, agora, posso respirar mais suavemente. Cheguei a tempo para relaxar.
Iniciamos o dia com um bhajan longo, que vai entrando devagar, acalmando todos os sentidos e fazendo surgir um calor enorme no peito.
Então, seguimos com os pranayamas por uma hora. Uma hora que, às vezes é maravilhosa, outras, é muito cansativa, alguns momentos voce acha que está experenciando um êxtase e quando percebe está mesmo é dormindo.
Depois de carregar-se com prana, meditação por mais uma hora. Dizem por aí que meditação é muito bom. Concordo, em termos.
Porque as vezes não tem nada de bom em ficar uma hora sentado, olhando para você mesmo sem ter para onde fugir. E é daí que começam a surgir todas as coisas feias e medonhas da sua personalidade. E sabe o que você faz? Se estivesse em casa, abria o olho e saia correndo, mas como o local exige respeito e muita, muita disciplina, então, você fica ali olhando para tudo o que vem surgindo entre um mantra e outro, pedindo para que os ponteiros do relógio corram mais rápido. Mas eles não correm.
E uma hora é uma eternidade. Todas aquelas as máscaras que costuma usar, vão ao chão. Todos os artifícios das suas relações interpessoais, da suas crenças vão se desmanchando. Bom? Ótimo! Mas não é sempre assim que você verá!
Terminada a sessão tortura de meditação o sol começa a brilhar, o mundo começa a despertar e então, lá vem a prática de Hatha Yoga.
Torce, puxa, faz força aqui, segura ali, inverte, reverte, transforma, desforma e relax... quando ouço relax aaahhhhh, êxtase!
E assim começa meu primeiro dia, dos 30, ao qual me propus a vivenciar o Yoga, um minuto de dor, um de prazer, um de bom, outro de ruim e enfim, depois de tres horas e meia de muita pratica, o tao esperado desjejum.
A fila de 100 pessoas dobra a esquina do refeitório. O estômago roncando alto, e ainda, tenho que exercitar a paciência. Não fosse isso, antes de comer, rezar. A mão desesperada vai pegar o pão e opa! OM Brahmam é o alimento, é o fogo, é o que te sustenta, Brahmam.....
A hora da refeição passa voando, bem diferente da hora da meditação, porque será?
Terminando de comer, momento de descanso.. Não! Momento Seva!
Um dia lave louça, no outro varra o chão, no outro, limpe banheiros, no outro, janelas, limpe o altar e assim dia-a-dia uma função.
O Swami sorridente de laranja aponta:"enquanto trabalha, utilize-se de mantra para não deixar sua mente vagar". Porque ele sorri tanto? Isso me irritava. Nada o incomodava? Acordar as 4 da matina todo dia, aguentar um bando de gente andando atrás dele o tempo todo nesta calma. Será que é porque, enquanto estamos aqui trabalhando ele dá um cochilo?
E os olhos daquele ser...um brilho imenso e tão, tão expressivos que dava até um certo incômodo ao bater os olhos de frente aos dele, parecia que um raio X passava por você e e ele sabia imediatamente tudo, tudinho, qualquer coisinha que passava na sua cabeca, que medo.
Então, para defender meus pensamentos privados do seu super-olhar , o jeito era seguir as instruções dele: mantra o tempo todo. Dai, comecei a reparar que minha cabeça andava em lugares nada politicamente corretos, éticos ou belos. Imagina se o Swami ouve isso? Meus pensamentos, vagavam entre eu, eu mesma e nada mais que eu.
E nesse monte de tralha egóica, tem a violência, muita violência que eu achava não cometer porque não comia carne. Quem dera fosse tão fácil assim, largue e a carne, os ovos, e pronto! Não precisa mais de esforço para ser uma yogi-pacifista. Droga de pensamento idiota! Droga de trabalho sem fim. Droga de retiro que me deixa enfurecida!Porcaria de lugar que nao da tempo nem de olhar no espelho! Se meu cabelo estava bom? Nao sei. Se havia uma couve colada no meu dente? Nao sei tambem. E reparei que ha uns dias nao sabia mais como era meu reflexo. A situacao das unhas, nem te falo. Hidratante, filtro solar, batom, os 345 tipos diferentes de creminhos para cada pedacinho do corpo, aaahhhh estao num mundo distante agora. O conforto da sua cama, com travesseiro fofinho, roupas lavadas na maquina, aaahhh que sonho...

Sem contar que aquilo e que era um big brother! A galera toda sendo eliminada dia-a-dia, e aqui nao posso nem citar os motivos que eles davam, ou os que contavam tentando se convencer de que nao era boa ideia ficar por la.

E o tempo vai passando e voce esta con-vivendo com pessoas. Pessoas e suas manias. Manias delas, porque e claro, voce nao tem nenhuma mania irritante, tudo em voce e absolutamente normal.
E conflitos. Num ashram? Sim! As pessoas brigam, se estressam, descabelam por muito pouco. Toda aquela cera passada na cara para dar um 'tapa' na aparencia vai desmanchando no calor da disciplina. Pelo menos foi assim que eu saquei as coisas rolando.
Todos os tipos de crises. Ate as improvaveis de namoricos as escondidas, com traicoes, com paranoias, ciumes, quebra-paus etc...Novela mexicana. Tudo em menos de um mes de convivencia! Da-lhe o lado negro da forca!!! Forca, Luke! "Muito a aprender voce ainda tem", diria mestre Yoda.
A dor do corpo, a dor da alma, a dor do ego que nao gostava de limpar banheiros
'Por favor, senhor Swami, gostaria de uma funcao mais nobre, porque arrumar o altar e muito mais legal', ou ' Como assim? Paguei para vir aqui estudar e estou cortando cenouras?'.
Porque e claro que quando chegamos, eramos todos Yogis do mais alto grau evolucionario espiritual com graducao e nivel 5 estrelas. Mas passando o tempo juntos, vivendo como uma familia, tudo vem a superficie e viva! Problemas a vista! Sem uma frase de efeito do mestre Yoda nao da para continuar, porque ele e muito bom "O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento." Parece que esse cara andou lendo as Upanisads.

Houveram momentos em que ganhavamos um tempo para nos. Recebiamos a noticia felizes e quando achavamos que ia rolar um descansinho, era pedido para que todos fizessem mauna e usassem este tempo para estudar. Duas horas de descanso, estudando em silencio e no refeitorio para que os professores pudessem auxiliar nas duvidas. Nao e uma maravilha?
Ate agora, so contei uma pequena parte do que vivenciei, mas existem outras nuances disso tudo.
Por um lado, era uma disciplina rigida, duas trocas de roupas somente, uma corre-corre ladeira acima, ladeira abaixo,muito estudo, muita pratica, dores pelo corpo, muitas duvidas, e por ai afora.
Por outro era muito amor no coracao daqueles que estavam ali para ensinar, muito sorriso acolhedor, muita paciencia com o minimo problema que voce pudesse estar vivenciando, muita comida boa e desintoxicante, alguns quilos perdidos, algumas ideias jogadas no lixo e muita, muita verdade sobre voce sendo revelada.
Com o passar dos dias, notei que acordava antes do sino, meu tempo de banho, troca de roupa e chegada a sala de aula era o mesmo, mas a forma com que eu fazia tudo isso era outra. Nao contava o tempo. Nao olhava para o relogio. Tudo se encaminhava de forma mais suave, sem aquela urgencia que eu sentia nos primeiros dias para nao me atrasar. Eu simplesmente, ja havia me acostumado com aquelas pessoas que tossiam pela manha, as que reclamavam do banho frio  (posso dizer que levei muito tempo para me adaptar a isso tambem), a subida da ladeira, a meditacao penosa matinal, aos incomodos dos insetos.
No inicio da jornada, eu imaginava que podia ter feito algo melhor com minhas ferias, e sonhava com o que os outros estariam fazendo. Dai, percebi que nao havia mais vida la fora, a vida estava ocorrendo aqui, daquela maneira, do jetinho que estava e era suficiente, nem bom, nem ruim.
Nessas pequenas revelacoes, fui aceitando cada dificuldade com compaixao, cada licao com reverencia, cada dia com sua beleza, cada ser que ali estava com sua personalidade, cada meditacao com seu obstaculo, cada trabalho com dignidade e integridade, cada momento como uma declaracao de amor profundo e gratidao.
Dos ensinamentos colhidos deste encontro, trago comigo algo que jamais pode ser explicado. Sao com esses aprendizados que procuro dar passos seguros na minha caminhada. E e com o coracao transbordante de alegria que saudo aos meus mestres diariamente.
JAYA!

( nao reparem na falta de acentuacao, pois este texto comecou ser escrito no meu pc que pifou e terminei num mac que nao sei onde fica nada!)








sexta-feira, 24 de agosto de 2012

milagres e coisas impossíveis

Ano passado fui pega de surpresa por um problema que arriscava minha vida e fui salva por um médico que adoro.  Posso dizer que o considero um grande amigo, porque nossa relação foi a mais íntima que conheço, digamos, ele me conhece por dentro. Piadas a parte, após o pequeno incidente, ele ficou bastante impressionado com a minha rápida recuperação e quis saber o que fazia, pois quando ele passava para a visita, lá estava eu sentada (o que não era comum) fazendo pranayama. Dessa nossa vivencia, e após, nasceu a amizade.
Ele se interessou por Yoga e eu por sua relação com Deus, afinal, como alguém que abre corpos, tira, põe, vira do avesso se relaciona com a espiritualidade.
Ele se define como um cientista, diz que a única coisa que sabe é que pode fazer algo, as vezes impossivel ,com o conhecimento que tem e, sendo que, nem sempre dá certo. Que não acredita em nada que não pode ver, ou tocar, ou explicar. Que não tem fé em nada, que para ele a vida é uma mecanica simples, peças funcionam, outras quebram e algumas se consertam.
Eu o achei muito confiante, e muito crente em suas idéias, mas para mim, afinal, quem acredita em si mesmo, tem fé em algo. Mostrei a ele meu ponto de vista e expliquei que o achava um homem de fé.
Ele crê na ciência. E a ciência será que não é um ato divino?
Eu também sou fã, mas muito curiosa e deixo espaço para aquilo que não se pode ver.
Acho que somos um milagre! E os milagres estão acontecendo sempre, alguns vem pelas mãos hábeis de médicos como meu querido Dr Gil. Um homem que ama vinhos e seu trabalho. Que se mostra muito curioso em entender o que é Yoga.
Disse a ele que o ensinaria o que sei e que podíamos começar com um exercício simples: "acreditar em 6 coisas impossíveis antes do café da manhã", frase do filme Alice no país das maravilhas, que eu adoraria saber até onde ia a criatividade dele.
E, travamos assim um pacto. Faríamos a nossa lista de possibilidades (aparentemente) impossíveis que queremos acreditar.
Eu quero acreditar, por exemplo, que possa existir no mundo alguém capaz de fazer uma tecnologia melhor do que a usada hoje nos consultórios dentários, e tenho certeza que muitos de voces concordam comigo.
Abro os meus olhos e sim, acredito que o dia será o melhor possível, e se ele não sair do jeito que planejei é porque ele está sendo melhor ainda.
Resgato bichinhos na rua, porque acredito que, um dia, nenhum ser vai passar por qualquer tipo de privação.
Reciclo meu lixo, raciono água, acho que carro só deveria ser usada para viagens e passeio, jamais para trabalhar, porque acho que um dia será possível viver na Terra sem causarmos tanta destruição.
Ele acredita que haverá uma cura para câncer. Que o sistema de saúde poderia ser acessível  e melhor para todos. Que a cada ano, haverá mais maquinas e equipamentos para detectar as doenças precocemente.
Eu, acredito que podemos fazer um esforço juntos para mudar nossa condição pessoal, social, política, economica, global. Ele, que surgirá novos pensadores, novos cientistas, uma nova geração política que mudará tudo. Eu, que se todos se iluminassem seria divino....
E assim, fizemos nossa brincadeira. Até o momento em que juntos, notamos, que nossos sonhos não eram assim, tão distantes da realidade. Que se, antes de nós, outros não tivessem feito suas listas, o que seria hoje?
E se nós não fizermos as nossas e seguirmos com fé, para que serve tudo?
E, sim, um dia não precisaremos de lista....
E nós chegamos ao ponto em que a brincadeira já não fazia sentido porque estavámos lá, silenciosos, vendo o milagre de dois mundos que pareciam tão separados, unificados..a ciência e o místico...os nossos olhos se cruzaram, e ele sabia que sem o coração bondoso com a intenção de livrar qualquer ser do seu sofrimento, sua função não tinha valor..e isso não era dado por nada que ele conhecesse ou explicasse..e eu sabia que sem toda a tecnologia e conhecimento, não estaria ali conversando... e que existia algo que nos unia além de qualquer palavra...e lágrimas brotaram dos nossos olhos em agradecimento...
Nossas mãos se uniram e nos saudamos.
E enquanto escrevia este texto ele ligou para marcarmos nossa próxima aula...
Namaste Dr Gil!